Poesias

Certeza





Ás vezes queria descansar...
Como o Sol que se põe,
Todos os dias.

Ás vezes queria pernoitar...
Como a Lua na noite...
Sempre a brilhar.

Ás vezes queria voar...
Como o pássaro,
Quase sempre a cantar.

Ás vezes queria ser um barco...
Sempre a navegar,
Navegar, navegar.

Queria ser isso,
Queria ser aquilo,
Acho que até me perdia...
De tanto que queria!

Como Orfeu, percebi um dia,
Em meio á cantoria.
Queria, sabia, seria...
Que nada!
Eu quero, eu sei, eu sou.

A menina





O carvão mancha a pele;
Sozinha, ela expele
De si, a própria dor;
Dos outros, lágrimas de amor.

Dos sonhos
Não foram poucos
Os que já abandonou.

A vida 
Já não a intimida;
Ela é forte
Como uma flor.

Algumas noites chorou;
Em outras lutou; 
E das questões que chutou,
Por sorte, muitas acertou.

Com amor, 
Ela segue;
Com a dor,
Ela vive.

Como Atlas
Convive
Com o sonho
De deixar seu fardo.




Tormenta de sentimentos 


   
     O vento corta meu rosto, ao doce som do trovejar, um relâmpago corta o horizonte, e sou beijada por pequenas gotas de chuva, que antecedem a neve que está para chegar.
     Lágrimas escorrem de meu rosto, como a chuva escorre da nuvem, lágrimas quentes, chuvas frias, não há o equilíbrio e se houver eu não o encontro no trovejar dos sentimentos.
     A neve cai lá fora. Trovões carregados, fortes barulhos, assustadores ás vezes. Das nuvens já não saem gotas de chuva, mas sim, verdadeiras bolas de neve, lágrimas congeladas, como que para serem guardadas, ou reservadas para simplesmente poupar da mágoa.


Rosas despedaçadas



Hoje no caminho, vi rosas vermelhas despedaçadas, ao chão.

Mil possibilidades passaram por minha mente,
Nenhuma correta provavelmente.

Vieram em minha mente,
Senti em meu coração,
Chorei por dentro por sentimentos que não me pertencem,
Sei que chorei em vão.

Perguntei-me então,
Quantos sonhos foram perdidos, dentre o próprio coração?
Quantos pensamentos foram afetados por sentimentos como a dor, ou, a solidão?


Alma de calma


 Chuva lava minha alma,
 Me encha de calma.

 Céu, seu azul é perene,
 Seja claro ou escuro,
 Sou tida como solene,
 Seja meu escudo.

 Sol me adotou como filha,
 Quando vejo seus raios dourados,
 Lembro-me de uma ilha,
 Em algum lugar de meados.

 Noite, seja tranquila,
 Seja nublada,
 És noite, impermeada,
 Por tanto impermeai-me da solidão.


Tempo


Passa tempo, passa hora e eu não me esqueço de pensar.
Passa tempo, tempo passa, só não vejo ele passar.
Passa tempo, passa hora e logo está na hora de acordar.
Passa tempo, passa lento, passa, passa e parece não passar.
Vem a vida, e passa o tempo, o tempo não para, para esperar a vida passar.
Passa tempo, passa hora, e eu tento enxergar.
Passa tempo, passa hora e eu não aguento mais! Será que não da para parar de passar?
Não, não dá responde o tempo, eu vou continuar a passar.
Passa tempo, passa momento, passam até mesmo os sentimentos, ficam lembranças, memórias para si, nada, mais nada, e o tempo não vai parar para esperar você relembrar.
Relembrar o que? Pergunta a criança. Relembrar o passado. Responde a mãe. Mas mãe, se eu relembrar o passado, como vou viver o presente? Como terei mais memórias para relembrar? Questiona a criança. Calma pequena, pequena criança, isso tu és, não podes negar! As memórias são para se acumular. Relembrar, só quando e se, você tiver tempo para nisso pensar.

 Poesia da verdade


  Brilhante como a própria Lua,
  Como o sonho que se esvai na noite escura,
  Como o Sol que engole a escuridão,
  E traz consigo toda uma multidão.

  Como a verdade que machuca,
  A minha verdade absoluta,
  Como a cor prata das emoções,
  Traz consigo as canções.

  Como o Mar que conversa,
  Ou a maré que refresca,
  Como a convencer-me de tudo,
  Da poesia, fiz meu mundo. 

Quando eu era uma criança

Quando era uma criança eu via
E me amedrontava com o que me conduzia.

Quando era uma criança eu temia
Quem eu era e também a poesia.

Quando era uma criança eu podia
Dominar o mundo com tamanha melodia.

Quando era uma criança eu sentia
A diferença entre texto e sentimento.

Quando era uma criança eu sabia
Que não podia mudar o momento.

Mas agora cresci
E o que sabia já não sei;
O que sentia já não importa;
O que podia já não posso;
O que temia já não temo;
E a inocência que via há muito não vejo.


O lado de lá.




Olho pro horizonte
E já não vejo tantos montes.
Olho para o mar,
E já não há barco para me levar.


E do lado de lá

Vejo uma janela

Cheia de mundos

Prontos para explorar.



E no sonho que procede

A vida, a morte ou a sede

De tudo o que reluz

Brilho cego que me conduz.



O som dos pássaros

Belos e chorosos

Clamam pela vida

Que não vem buscar.



A vida leva

Tudo o que relevo

E relevo quase tudo

O que a vida me dá.



E vai embora o dia

Chega a noite

E mais uma vez

Me ponho a pensar. 



Poesia I


Quando chega a noite
Ponho-me a pensar
No meu pesar.

Sonhe sem dormir
E é nisso que vai dar.

Dizem que você é sabía
E você já sabia
Que ele não era seu
E que nunca seria.

E então, você vem
E cria uma poesia
Para aliviar uma dor
Que há muito pressentia.

Segue a noite
Seus pensamentos
Tortos, torturam
Seus sentimentos
Loucos, procedem
Seus sonhos
Você esquece.

Segue então o tempo
E já é dia, quando você
Resolve esconder-se em descontentamento
E chorar lágrimas que não são suas.


Poesia II


Meus dedos batem no teclado, machucando-o.
Meu coração bate em descompasso, machucado.
A flor da primavera esta murchando.
E eu não faço nada. Estou chorando.

Os sonhos de outrora não existem mais.
Eu os criei e eles machucaram-me demais.

Ó bela deusa antiga íris,
Diga-me o que fazer com o pires,
Já que a xícara está quebrada.

Ó coração partido diga
O que fazer com a ferida,
O ponto de partida,
Dessa amarga dor?